







• Cinco anos depois do suicídio de Kurt, no dia 31 de maio de 1999, o memorial Day, Wendy organizou um culto final para seu filho. O plano era que Frances espalharia as cinzas de Kurt em um riacho atrás da casa de Wendy enquanto um monge budista recitaria uma oração. Naquela semana, Courtney e Frances já estavam de férias no noroeste. Depois da morte de Kurt, Courtney se tornaria intima de Wendy e havia comprado para ela uma casa de 400 mil dólares, com um grande terreno, nos arredores de Olympia.
Era nos fundos dessa casa que se planejava celebrar o culto e um punhado de parentes e amigos haviam sido convidados. Embora Wendy não convidasse pessoalmente Don, os empresários de Courtney o convidaram e ele compareceu. Mas algumas rixas de família ainda continuavam: Leland, que estava a apenas meia hora de distância — e passava a maioria de seus dias sozinho em seu trailer depois que Íris morreu em 1997 —, não foi chamado.
Courtney convidou Tracy Marander e ela compareceu, desejando dar um último adeus a Kurt. Quando Tracy chegou e viu Frances, ficou confusa com a beleza da menina — descalça, usando um vestido púrpura, os olhos marcadamente parecidos com os de um menino que ela outrora amara. Esse era um pensamento que ocorreria a Courtney todos os dias de sua vida.
Espalhar Kurt debaixo de sua ponte mistificadora teria sido uma espécie de justiça cruel e irônica literal — pela primeira vez, ele dormiria lá. mas, em lugar disso, enquanto o monge entoava as orações, Frances bean Cobain, com seis anos de idade, espalhou as cinzas do pai no riacho McLane — emas se dissolveram e flutuaram na corrente. Em diversos sentidos, este era, também, um local adequado para o descanso.
Kurt havia encontrado sua verdadeira musa artística em Olympia e, menos de oito quilômetros adiante, ele se sentava num apartamento insignificante, que cheirava a mijo de coelho, e compunha canções o dia inteiro. Essas canções sobreviveram a Kurt e até a seus demônios mais tenebrosos. Como certa vez observou seu pai adotivo temporário Dave Reed, numa das melhores sínteses já feitas sobre a vida de Kurt: "Ele tinha o desespero, não a coragem, para ser ele mesmo. Uma vez que você tem isso, você não pode dar errado, porque você não pode cometer nenhum erro quando as pessoas o amam por você ser você mesmo. Mas, para Kurt, não importava que as outras pessoas o amassem: ele simplesmente não se amava o bastante".



































